Influence of bioceramic intracanal medication on the bond strength of bioceramic root canal sealer

Patrícia Maria ESCOBAR(a), Alice Corrêa SILVA-SOUZA(a), Rafael Verardino de CAMARGO(a), Marco SIMÕES-CARVALHO(b), Yara Teresinha SILVA-SOUZA(c), Jardel Francisco MAZZI-CHAVES(a), Gustavo DE-DEUS(b), Manoel Damião SOUZA-NETO(a)

(a)Universidade de São Paulo - USP, School of Dentistry of Ribeirão Preto, Departament of Restorative Dentistry, Ribeirão Preto, SP, Brazil. (b)Universidade Federal Fluminense - UFF, School of Dentistry, Department of Endodontics, Niterói, RJ, Brazil. (c)Universidade de Ribeirão Preto - Unaerp, Faculty of Dentistry, Ribeirão Preto, SP, Brazil.
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Objetivo do estudo:
Investigar a influência do volume remanescente de uma nova medicação intracanal
à base de compostos biocerâmicos na resistência de união e formação de uma interface adesiva entre cimentos endodônticos à base de silicato de cálcio e resina epóxi.

Implicância clínica:

• Volume remanescente da medicação intracanal: é importante que se consiga remover o máximo da medicação intracanal de dentro do conduto, pois se trata de um material temporário e não definitivo. No caso do BIO-C® Temp, além de ser facilmente e eficazmente removido, caso sobre algum remanescente do produto, há uma interação entre o BIO-C® Temp e o BIO-C® Sealer, proporcionando uma obturação hermética e tridimensional.

• Teste de resistência de união: a resistência de união significa a capacidade de adesividade entre o cimento obturador e as paredes do canal radicular. No caso do presente estudo, foi concluído que ao se utilizar BIO-C® Temp como medicação intracanal e o BIO-C® Sealer como cimento obturador, foi possível notar uma maior resistência de união.

• Qualidade da interface adesiva: É importante ter qualidade da interface adesiva, ou seja, ausência de lacunas e gaps que possam causar a reinfecção bacteriana e o insucesso do tratamento.

• Penetração do cimento nos túbulos dentinários: ao realizar uma obturação dos canais radiculares, é desejado que esse cimento penetre o mais profundamente possível em canais laterais, acessórios e nos túbulos dentinários, para que tenha-se um selamento mais completo possível, e evite-se a recontaminação bacteriana.
FIGURA 1Modelos tridimensionais em imagens de microtomografia computadorizada antes e após a remoção da medicação intracanal à base de: (A) compostos biocerâmicos – BIO-C® Temp (Angelus, Londrina, Paraná, Brasil) e (B): hidróxido de cálcio – Ultracal XS (Ultradent Products Inc.,South Jordan, UT, EUA). Em vermelho (I): preenchimento do canal radicular com medicação intracanal. Em azul (II): remanescente de medicação intracanal após remoção com instrumento final e irrigação convencional com hipoclorito de sódio. (III) Sobreposição de imagens antes e depois da remoção da medicação intracanal.
TABELA 1Média ± desvio padrão e mínimo e valor percentual máximo (%) do volume remanescente de medicação intracanal (BIO-C® Temp e Ultracal XS) após o uso do último instrumento e irrigação convencional com hipoclorito de sódio 2,5% e EDTA 17% por 3 minutos.
TABELA 2Média e desvio padrão dos valores de força de ligação (Mpa) encontrados para o teste push-out em grupos de acordo com a medicação intracanal (BIO-C® Temp ou UltracalXS) e cimento obturador (AH Plus e BIO-C® Sealer).
TABELA 3. Média e desvio padrão dos valores de resistência de união (Mpa) encontrados para o teste push-out dos terços radiculares (cervical, médio e apical) de acordo coma medicação intracanal (BIO-C® Temp ou Ultracal XS) e cimento obturador (AH Plus e BIO-C® Sealer).
Resultados:

Experimento 1: Determinando o volume remanescente das medicações intracanais
O “t-test” mostrou uma diferença estatisticamente significativa na porcentagem do volume restante de medicação intracanal (p < 0,0001) (Tabela 1), com uma quantidade menor de remanescente intracanal do medicamento à base de compostos biocerâmicos (BIO-C® Temp) (1,77 ± 0,86) quando comparado com a medicação à base de hidróxido de cálcio (Ultracal XS) (10,47 ± 5,78), independente do terço do dente avaliado.

Análise qualitativa de modelos tridimensionais e cortes axiais da raiz distal antes e depois da remoção das medicações intracanais mostrou um remanescente de medicação em ambos os produtos testados (Figura 1). Porém, ao comparar a medicação intracanal restante em relação a composição química, pode-se observar que o medicamento à base de compostos biocerâmicos (BIO-C® Temp) permaneceu homogêneo e regular, principalmente no terço apical (Figura 1A). Em contraste à medicação intracanal à base de hidróxido de cálcio.

Experimento 2: Teste de resistência de união
A análise de variância de dois fatores mostrou uma diferença estatisticamente significativa para os fatores medicação intracanal e terço radicular, e para a interação dos fatores medicação intracanal x terço radicular (p<0,0001). Em relação à medicação intracanal, observou-se que os dentes que receberam tratamento intracanal com medicamento à base de compostos biocerâmicos (BIO-C® Temp) e foram preenchidos com cimento biocerâmico (BIO-C® Sealer) tiveram valores de resistência de união mais altos (3,70 ± 1.22) quando comparado com dentes que receberam medicamentos à base de compostos biocerâmicos e preenchidos com cimento à base de resina epóxi (AH Plus) (2,15 ±1,07), ou medicamento à base de hidróxido de cálcio (Ultracal XS) e obturação com biocerâmico (3,18 ± 1,09) ou com cimento à base de resina epóxi (AH Plus) (2,11 ± 1,02) (p < 0,001) (Tabela 2).

Em relação aos terços radiculares, independentemente da medicação intracanal e cimento, o terço cervical apresentou maiores valores de resistência de união quando comparado com o terço médio (p < 0,001), com valores mais altos de resistência de união para o terço médio (p < 0,001) (Tabela 3).

Experimento 3: Qualidade da interface adesiva
FIGURA 5Micrografias de luz mostrando porções de cápsula de seções submetidas a imuno-histoquímica para detecção de IL-10 (cor marrom/amarelo) e contracorada com hematoxilina. Observado que poucas células imunomarcadas estão presentes nas cápsulas de todos os grupos, principalmente aos 7 dias (A–C). Em todos os grupos, uma imunomarcação evidente está presente nos mastócitos (MC). Setas, células inflamatórias; BV, vasos sanguíneos; partículas materiais, pontas de flechas. Barras: 18 μm. (M) O gráfico mostra os valores (expressos como média ±  desvio padrão) da densidade numérica de células imunomarcadas com IL-10 nas cápsulas. Em cada período, a comparação entre os grupos é indicada por letras sobrescritas; letras diferentes = diferença significativa. Os números sobrescritos indicam a análise de cada grupo ao longo do tempo; números diferentes = diferença significativa. Teste de Tukey (p ≤0,05).
Em espécimes em que a medicação intracanal (BIO-C® Temp) e cimento à base de biocerâmica (BIO-C® Sealer) foram utilizados, houve melhor adaptação do material obturador à dentina radicular, também em áreas polares (Figura 3), áreas com justaposição da interface adesiva e menores falhas interfaciais entre cimento/dentina; e quando eles ocorreram, as lacunas eram menores do que nos outros grupos.
FIGURA 6A. Imagenscapturadas por microscopia confocal a laser com fluorescência após o uso de medicação intracanal à base de compostos biocerâmicos (BIO-C® Temp) e preenchimento com cimento à base de biocerâmica (BIO-C® Sealer). Em verde fluorescente, foi possível observar a presença de resíduos da medicação intracanal dentro dos túbulos dentinários. Em azul fluorescente, foi observada a penetração do cimento nos túbulos dentinários, com a formação de tags mais longos e uniformes. A formação de tags como resultado da interação da medicação intracanal e do cimento foi observada em azul fluorescente claro. B. Imagens capturadas por microscopia confocal a laser com fluorescência após o uso de medicação intracanal à base de compostos biocerâmicos (BIO-C® Temp) e preenchimento com cimento à base de resina epóxi (AH Plus). Em verde fluorescente, foi possível observar a presença de resíduos da medicação intracanal dentro dos túbulos dentinários. Em vermelho fluorescente, foi observada a penetração do cimento do canal radicular nos túbulos dentinários com a formação de tags curtas sem continuidade. Em laranja fluorescente, foi observada a formação de tags como resultado da interação da medicação intracanal e cimento.
A análise das imagens no CLSM permitiu-nos observar que para o grupo que recebeu medicação à base de composto biocerâmico (BIO-C® Temp) e obturação com cimento biocerâmico (BIO-C® Sealer), houve maior penetração de medicação intracanal (em verde fluorescente) e cimento obturador (em azul fluorescente) nos túbulos dentinários, de forma regular e homogênea, com a formação de longos tags (Figura 6A).

Conclusões:
A conclusão a que chegou o presente estudo foi de que a medicação intracanal à base de composto biocerâmico (BIO-C® Temp) interagiram quimicamente com o cimento obturador biocerâmico (BIO-C® Sealer) para formar uma camada biomineralizante, o que permitiu um aumento na força de união e formação de uma interface adesiva entre os materiais, com nenhuma ou menor formação de lacunas/gaps.